Nesta segunda-feira (23), foi realizado no Fórum Gonçalo Porto de Souza, em Valença, o júri popular de mais dois acusados pelo homicídio de João Victor Coutinho Silveira, filho de Quézia Coutinho e de Thiago Silveira. O julgamento representa um desfecho do caso que chocou a cidade em agosto de 2022.
Foram levados ao banco dos réus Iago Almeida Ribeiro e Lucas Nascimento dos Santos, conhecido como “Luquinhas” ou “Fantasma Preto”, apontados pelo Ministério Público como coautores do crime. Após a sessão de julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a participação dos dois na execução da vítima.
Crime ocorreu em 2022 na Orla do Rio Una -na área conhecida “como frente do Tento”
João Victor foi encontrado sem vida na manhã do dia 16 de agosto de 2022, na Rua Júlia Pétit, bairro Tento, na Orla do Rio Una, em frente à Igreja de São Pedro. Ele havia sido assassinado na noite anterior, por volta das 22 horas, com cinco disparos de arma de fogo que atingiram cabeça, pescoço, rosto e o tórax.
Durante o julgamento, a promotora de Justiça, Dra. Rita de Cássia, rebateu a tese da defesa, que pedia a absolvição dos acusados. Em plenário, sustentou que João Victor foi atraído para uma emboscada e morto dentro de uma embarcação, por motivo torpe e sem qualquer possibilidade de defesa.
Segundo a acusação, a vítima foi surpreendida em clara desvantagem: quatro pessoas contra uma, sem que houvesse qualquer indício de luta corporal. A promotora destacou que João não portava arma e não apresentava lesões compatíveis com briga, o que reforçou a tese de execução. A trajetória dos disparos – de baixo para cima – pode indicar que ele estava ajoelhado ou já havia perdido o equilíbrio após o primeiro tiro, impossibilitando qualquer reação.
Todos os réus negaram participação no crime.
Processo desmembrado e condenações anteriores
O processo foi desmembrado, mas todos os envolvidos foram responsabilizados por terem concorrido para o crime.
Em 18 de março de 2025, Anderson Gabriel Ferreira Pereira, conhecido como “China”, já havia sido julgado e condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado pelo homicídio de João Victor. A sessão também ocorreu na 1ª Vara Criminal da Comarca de Valença, e ele cumpre pena em regime fechado numa penitenciária do Estado.
Rone, apontado como o quarto envolvido, morreu antes de ser julgado.
Com a nova condenação, Iago Almeida Ribeiro e Lucas Nascimento dos Santos foram encaminhados ao Conjunto Penal de Valença, onde iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado.
Testemunha-chave foi morta após colaborar
Um dos pontos centrais do julgamento foi o depoimento de Ícaro, estivador e morador do bairro Tento. À época do crime, ele trabalhava nas proximidades e inicialmente prestou depoimento sob sigilo, temendo represálias contra si e sua família.
Nos autos, Ícaro relatou que ouviu dois disparos enquanto finalizava a carga de uma embarcação e, ao se dirigir para casa, escutou mais três tiros. Segundo seu testemunho, ele presenciou os quatro jovens correndo pela rua, armados, logo após a execução da vítima.
Meses depois do crime, decidiu formalizar o relato, fortalecendo os indícios e demais provas constantes no processo. De acordo com o seu depoimento, após sofrer ameaças, mudou-se para Camaçari, onde acabou sendo assassinado posteriormente.
Luta por justiça durou quase 4 anos
A trajetória da família de João Victor também foi marcada por uma incansável busca por respostas. Desde o dia do crime, os familiares iniciaram uma verdadeira peregrinação pelo bairro do Tento, conversando com moradores, reunindo informações e tentando reconstruir os últimos passos do jovem. A avó da vítima, Bárbara Silveira, teve papel fundamental nesse processo. Movida pela dor e pelo desejo de justiça, ela percorreu ruas, bateu de porta em porta e insistiu para que qualquer pessoa que soubesse de algo se manifestasse. Segundo a Promotoria, essa postura firme e determinada foi decisiva para que a principal testemunha encontrasse coragem para relatar o que viu e ouviu naquela noite, contribuindo de forma essencial para o esclarecimento dos fatos e para a responsabilização dos envolvidos.
Família fala em alívio
Após o veredito, familiares de João Victor expressaram sentimento de alívio. Embora a dor pela perda permaneça, afirmaram que a condenação dos envolvidos representa um passo importante para que a justiça seja feita.
O caso, que gerou forte comoção em Valença, agora avança para sua etapa final com a responsabilização judicial dos acusados apontados como participantes do crime.
Via Baixo Sul em Pauta*



