Baleia enterrada na praia gera protestos em Vera Cruz

O caso da baleia encontrada morta em uma praia do município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, ganhou novos desdobramentos e deve ter um desfecho a partir desta segunda-feira (6), quando a Prefeitura informou que fará a remoção da carcaça, encerrando uma polêmica que mobilizou moradores, ambientalistas e frequentadores da região.

O animal apareceu morto na faixa de areia nos últimos dias e, como medida inicial, foi enterrado pela administração municipal na própria praia. A decisão, no entanto, passou a ser alvo de críticas e questionamentos quanto aos possíveis impactos ambientais e sanitários decorrentes da decomposição de um mamífero marinho de grande porte em uma área sujeita à influência das marés.

Com o passar dos dias, moradores relataram forte odor na região e demonstraram preocupação com a possibilidade de vazamento de líquidos oriundos da decomposição, que poderiam alcançar o mar, além da formação de gases no interior da carcaça, fenômeno natural que pode ocorrer durante o processo de decomposição.

As manifestações também alertavam para riscos de contaminação ambiental, desconforto para moradores e turistas e eventual atração de animais marinhos em razão da matéria orgânica liberada pela decomposição.

Embora especialistas apontem que o enterramento de grandes cetáceos possa ser uma alternativa tecnicamente aceitável em determinadas situações, essa medida exige critérios rigorosos, como a escolha de local adequado, profundidade suficiente, distância segura da linha da maré e acompanhamento de órgãos ambientais competentes. Quando esses requisitos não são plenamente observados, podem surgir problemas como erosão da área, reexposição da carcaça, infiltração de líquidos no solo e intenso mau cheiro.

Diante da repercussão do caso, representantes da sociedade civil mantiveram contato com a administração municipal solicitando uma reavaliação da medida adotada. Entre as sugestões apresentadas estava a retirada da baleia da praia e seu encaminhamento para local apropriado, reduzindo os riscos ambientais e sanitários. O mau cheiro já estava insuportável e o medo da atração de animais predadores é constante.

Após as tratativas, o prefeito Igor Pinho e integrantes da equipe municipal informaram que a Prefeitura realizará a remoção da baleia nesta segunda-feira. A expectativa é que a carcaça seja transportada para um local ambientalmente adequado, possivelmente um aterro sanitário licenciado, onde receberá a destinação final prevista pelos protocolos ambientais.

A remoção é aguardada pelos moradores como uma solução definitiva para um problema que gerou apreensão ao longo dos últimos dias e colocou em evidência a necessidade de protocolos técnicos cada vez mais rigorosos para o manejo de grandes animais marinhos encontrados mortos no litoral baiano.

A expectativa agora é que a operação transcorra com segurança, sob acompanhamento técnico, encerrando um episódio que despertou preocupação ambiental e ampla repercussão entre a população local.

TRBN

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