Rebeca Andrade é eleita uma das 100 mulheres mais influentes do ano

A rede britânica BBC divulgou nesta terça-feira a lista das 100 mulheres inspiradoras e mais influentes no mundo em 2024.

O rol inclui a maior atleta olímpica brasileira Rebeca Andrade e a francesa Gisèle Pelicot, cuja história e a defesa das mulheres repercutiram pelo planeta em meio ao julgamento do marido, acusado de dopá-la e recrutar dezenas de homens online para estuprá-la durante uma década.

A “BBC 100 Women” também contempla a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Nadia Murad e a atriz Sharon Stone, entre outras ativistas, esportistas e artistas internacionais.

No trecho da listagem em que destaca a trajetória de Rebeca, a BBC ressalta que as seis medalhas da ginasta fazem dela a maior medalhista da história olímpica brasileira, além dos nove títulos mundiais. A rede britânica lembrou que a brasileira conquistou o ouro no solo de Paris-2024, “superando a ginasta mais condecorada do mundo, a americana Simone Biles”. A BBC frisou que a própria Biles e a terceira colocada, Jordan Chiles, reverenciaram Rebeca no pódio, num gesto emblemático da Olimpíada.

A publicação destacou ainda que Rebeca tem sete irmãos, é filha de faxineira e, até os 10 anos, ia a pé da sua comunidade em São Paulo até o local dos treinamentos. A BBC ressaltou que a ginasta superou lesões graves e falou sobre a importância dos cuidados com a saúde mental.

“Ser resiliente está relacionado à forma como lidamos com as coisas que acontecem com a gente, e a ajudar minhas colegas de equipe a ver o lado bom mesmo quando as coisas estão muito ruins”, disse Rebeca, em declarações reproduzidas pela BBC.

Outras brasileiras na listagem são Lourdes Barreto, ativista pelos direitos das prostitutas, e a bióloga Silvana Santos A BBC destacou que Lourdes ajudou a fundar um dos primeiros movimentos organizados de profissionais do sexo na América Latina e, com seu trabalho, “vem desafiando o preconceito há décadas”. E frisou que Silvana foi responsável por identificar a síndrome de Spoan (acrônimo em inglês para “paraplegia espástica, atrofia óptica e neuropatia”) no nordeste do Brasil, uma doença neurodegenerativa genética rara que causa paralisia progressiva.

O rol das 100 mulheres mais influentes cita também Gisèle Pelicot, sobrevivente de estupro e ativista. A rede britânica afirmou que a francesa abriu mão do anonimato durante o julgamento do marido, Dominique Pelicot, e outros 50 réus, para “permitir que sua história chegasse ao mundo”.

“Por lei, Pelicot tinha direito ao anonimato — mas, em vez disso, ela pediu que o julgamento fosse aberto, e que os vídeos fossem exibidos, em uma tentativa de transferir a “vergonha” de volta para os acusados (…) Enquanto o julgamento entra na reta final, essa avó francesa segue inspirando mulheres ao redor do mundo. Ela espera que seu caso mude a legislação na França e as atitudes em relação ao estupro e ao consentimento”, escreveu a BBC.

Citada na lista, Sharon Stona foi celebrada por ser a primeira pessoa a receber o prêmio de Ícone Internacional do Globo de Ouro. A BBC também exaltou outras duas esportistas que viralizaram durante a Olimpíada de Paris: a mesa-tenista Tania Zeng, que se classificou para o primeiro torneio olímpico aos 58 anos, e a atiradora sul-coreana Kim Yeji, cuja postura “descolada” rendeu memes.

A BBC afirma que a lista celebra mulheres que, por meio de sua resiliência, pressionam por mudanças no mundo e ressalta o impacto da emergência climática e das crises humanitárias na Terra.

“Desde enfrentar conflitos mortais e crises humanitárias em Gaza, no Líbano, na Ucrânia e no Sudão, até testemunhar a polarização nas sociedades após um número recorde de eleições ao redor do mundo, as mulheres tiveram que reunir forças e encontrar novos níveis de resiliência”, destacou a BBC.

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